Brasil tem redução de 6.4% no número de ricos

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Relatório sobre a Riqueza Mundial aponta crescimento de indivíduos com patrimônio elevado, totalizando cerca de 14 milhões de pessoas. América Latina foi a única região a registrar queda em 2014.
A Capgemini, um dos principais provedores globais de serviços de consultoria, tecnologia e terceirização, e a RBC Wealth Management divulgam o Relatório sobre a Riqueza Mundial 2015 (World Wealth Report 2015). Em 2014, essa mesma análise apontou que 2 milhões de pessoas dispunham de pelo menos 1 milhão de dólares para investimentos, excluindo a residência principal, acervos, bens de consumo e bens duráveis. O estímulo do desempenho econômico e do mercado de ações ajudou a criar cerca de um milhão (920 mil) de novos milionários no mundo inteiro em 2014, com aumento do número de indivíduos com patrimônio pessoal elevado (HNWI¹) para 14.6 milhões e de sua riqueza para US$ 56.4 trilhões. Já em 2015, isso representa um crescimento em torno de 7%, quase metade da taxa do ano anterior.
 
Em contrapartida, o levantamento revelou que, no Brasil, considerando os indivíduos com patrimônio pessoal elevado (HNWIs), a riqueza diminuiu 6.4% em 2014 em comparação com o ano anterior. A tendência de investimento desses indivíduos no País se divide em: 24% no mercado imobiliário (excluindo residência principal), ante 17.6% da média global; 19.9% em renda fixa (16.6% no mundo), e 15.2% em investimentos alternativos (incluindo fundos estruturais, fundos de investimento especulativo, derivativos, moeda estrangeira, commodities e participações privadas), contra os 13% apresentados globalmente.
 
A América do Norte continua ocupando a primeira posição em termos de patrimônio, com US$ 16.2 trilhões, apresentando aumento de 8% da população de HNWI – para 4.68 milhões. A Ásia-Pacífico acumulou US$ 15.8 trilhões, com expectativa de crescimento contínuo da riqueza (11%), o que deve fazer com que ocupe a primeira posição em termos de patrimônio antes do final de 2015. A população de HNWIs desta região também cresceu com mais intensidade (+9%), ameaçando ultrapassar a América do Norte como região com o maior índice – 4.69 milhões de indivíduos. Na Europa foram US$ 13 trilhões, com acréscimo de 4% da população de HNWI, chegando a 4 milhões.
 
Com base nas últimas pesquisas, 2014 foi o sexto ano consecutivo de crescimento do mercado de alto patrimônio, graças aos fortes retornos no mercado de ações e sólido desempenho econômico, provocando um crescimento da riqueza em torno de 7%, após o avanço de dois dígitos no ano anterior. “A região da Ásia-Pacífico liderou o crescimento da riqueza neste ano e tirou a América do Norte da liderança em termos de população com alto patrimônio. Em relação aos próximos anos, acreditamos que, com a recuperação da economia na região, a Europa será uma grande impulsora do crescimento da riqueza das pessoas com alto patrimônio”, explica o diretor de gestão de patrimônio e de seguros do RBC, George Lewis.
 
No âmbito dos países, a China e os Estados Unidos foram responsáveis por mais da metade (52%) do crescimento da população global de indivíduos com alto patrimônio. A Índia liderou o crescimento mundial da população HNWI (26%) e do patrimônio (28%), devido ao forte desempenho do mercado de ações e ao menor custo de suas importações substanciais de petróleo. A China vem em seguida, com aumento de 17% e 19% da população mais rica e do patrimônio, respectivamente, impulsionado pelo crescimento do PIB, aumento das exportações e desempenho moderado do mercado de ações.
 
O forte crescimento na região da Ásia-Pacífico e na América do Norte contrastou com o decréscimo verificado na América Latina, a única região que registrou queda do número de HNWI (-2%) e do seu patrimônio (-0.5%) em 2014, principalmente devido à queda dos preços das commodities e, consequentemente, do mercado de ações.  Na Europa, a população HNWI e o patrimônio cresceram aproximadamente 4%, devido ao fraco desempenho econômico e à queda do mercado de ações na maioria dos países.

Ações e dinheiro dominam as carteiras das pessoas com alto patrimônio; uso do crédito também é alto
As ações substituíram o dinheiro como tipo preferencial de ativos das pessoas com alto patrimônio em 2014, representando 27% das carteiras, de acordo com a pesquisa Global High Net Worth Insights, do WWR¹.
“Após aproximadamente cinco anos de crescimento estável do mercado global de ações, estas ultrapassaram o dinheiro como ativo dominante nas carteiras das pessoas com alto patrimônio”, afirma o diretor global de vendas da Divisão Global de Serviços Financeiros da Capgemini, Andrew Lees. “A maior exposição às ações indica um aumento gradual do apetite por risco, à medida que as pessoas com alto patrimônio se sentem confortáveis ao investir uma porção maior de suas carteiras em ações devido ao aumento do valor dos ativos”, finaliza.
Essas pessoas continuam mantendo mais de um quarto (26%) de seu patrimônio em dinheiro, principalmente para manter seu estilo de vida (36%) ou por segurança, em caso de volatilidade do mercado (31%).  O restante da carteira foi distribuído em imóveis (20%), renda fixa (16%) e investimentos alternativos (10%).
 
O WWR também revelou que o uso do crédito na carteira de pessoas com alto patrimônio é comum, sendo 18% dos ativos financiados por meio de empréstimos. Essa prática é comum entre as mulheres (19%), pessoas nas faixas mais altas de riqueza (acima de US$ 20 milhões: 22%) e pessoas com menos de 40 anos (27%).  O crédito é amplamente usado para alavancar investimentos (40%) e a compra de imóveis (22%).
 
Pessoas com alto patrimônio desejam causar um impacto positivo na sociedade
Conforme revelado pelo Relatório sobre a Riqueza Mundial 2015, as pessoas com alto patrimônio desejam investir seu dinheiro, conhecimento ou tempo para gerar um impacto social positivo, sendo que 92% delas consideram isso importante. O relatório desse ano observa que elas procuram gestores de patrimônio (30%), familiares (27%) e amigos (22%) para obter sugestões sobre oportunidades e abordagens sociais. O relatório também mostra que, entre essas pessoas recebem orientação sobre atividades sociais de seus gestores e empresas de gestão de patrimônio, mais da metade (54%) espera obter ainda mais ajuda para estabelecer metas sociais claras e saber quais investimentos promoverão a maior mudança, estruturando-os e medindo o seu impacto.
 
A riqueza global das pessoas com alto patrimônio deve chegar a $ 70 trilhões até 2017 
Ao contrário dos últimos anos, a Europa deve gerar um crescimento anual da riqueza das pessoas com alto patrimônio na ordem de 8,4%, como resultado de um maior otimismo quanto a uma recuperação significativa da região. Já na América do Norte, estima-se que a riqueza das pessoas mais ricas cresça modestos 7%.