Brasil tem redução de 7,8% no número de ricos

| Press release
Relatório sobre a Riqueza Mundial aponta crescimento de indivíduos com patrimônio elevado, totalizando cerca de 15,4 milhões de pessoas. Riqueza global deve atingir US$ 100 trilhões até 2025.

Em 2015, quando a riqueza das pessoas com alto patrimônio registrou um crescimento modesto de 4% no mundo inteiro, a região da Ásia-Pacífico obteve um avanço expressivo de 10%, chegando ao topo da lista de regiões com maior riqueza nas mãos dos indivíduos de alto patrimônio, conforme revelou a 20ª edição do Relatório sobre a Riqueza Mundial (World Wealth Report 2016), publicado pela Capgemini.  Esta é a primeira vez que a região da Ásia-Pacífico ultrapassa a América do Norte, tanto em riqueza como no número de pessoas com alto patrimônio. No ano passado, a região detinha um patrimônio de US$ 17,4 trilhões nas mãos de 5,1 milhões de pessoas com alto patrimônio, contra US$ 16,6 trilhões e 4,8 milhões pessoas na América do Norte.[1]

No mundo inteiro, os bens das pessoas com alto patrimônio atingiu US$ 58,7 trilhões e esse grupo cresceu 4,9%, chegando a 15,4 milhões de pessoas em 2015. Desde 1996, o patrimônio desses indivíduos cresceu quatro vezes, totalizando perto de US$ 59 trilhões. Caso essa modesta taxa de crescimento seja mantida, a riqueza detida pelas pessoas com alto patrimônio deve atingir US$ 100 trilhões até 2025.  Apesar desse nível recorde de riqueza, o relatório também revelou que somente um terço (32%) do patrimônio detido por essas pessoas no mundo inteiro é administrado por gestores de patrimônio, o que representa um desafio e uma oportunidade para que as empresas consolidem seus ativos. 

"É surpreendente que somente um terço dos ativos das pessoas com alto patrimônio seja administrado por empresas de gestão patrimonial. Isso comprova o grande potencial que existe para que as empresas combinem as tecnologias digitais e as competências das FinTechs com o conhecimento e relacionamento para oferecer serviços de última geração aos clientes", comenta o líder do setor bancário e de mercados de capital da divisão de serviços financeiros da Capgemini, Anirban Bose.  "As empresas que conseguirem oferecer uma experiência digitalmente integrada aos clientes, que explore o alto nível de confiança nelas depositada e as características de agilidade, flexibilidade e facilidade de uso, estarão bem posicionadas para se tornarem líderes no futuro". 

Em contrapartida, o levantamento revelou que no Brasil o número de pessoas com alto patrimônio diminuiu 7,8% em 2015 em relação ao ano anterior, alcançando US$ 3,7 trilhões (queda de 6.2% se comparado com 2014). No primeiro trimestre deste ano, a tendência de investimento desses indivíduos no País se divide em: 22,2% em renda fixa (18% no mundo); 21,9% no mercado imobiliário (excluindo residência principal), ante 17,9% da média global; e 18% em investimentos alternativos (incluindo fundos estruturais, fundos de investimento especulativo, derivativos, moeda estrangeira, commodities e participações privadas), contra 15,7% apresentados globalmente. 

 

Região da Ásia-Pacífico posicionada para gerar crescimento na próxima década

A região da Ásia-Pacífico tem sido um motor de crescimento, com a riqueza e o número de pessoas com alto patrimônio dobrados na última década. A riqueza mantida pelos mais ricos na região cresceu 10% em 2015, quase cinco vezes mais do que na América do Norte, que registrou 2%, uma queda drástica em relação aos 9% obtidos em 2014. Com uma projeção mais agressiva do crescimento, se os mercados da região da Ásia-Pacífico continuarem a crescer no mesmo nível visto entre 2006 e 2015, em dez anos a região representará dois quintos de toda a riqueza mantida pelos indivíduos de alto patrimônio no mundo inteiro, mais do que na Europa, América Latina e Oriente Médio/África combinados. O Japão e a China se destacam como geradores regionais, responsáveis por quase 60% do aumento do grupo de pessoas com alto patrimônio em 2015. 

Em termos de aumento da população com alto patrimônio em 2015, a região da Ásia-Pacífico também superou em muito a América do Norte (2%) e registrou quase o dobro da Europa (5%). A América Latina foi prejudicada pelo baixo desempenho do Brasil, que registrou retração tanto no número de pessoas com alto patrimônio (- 7,8%) como na riqueza (- 6,2%). Afetado pela América Latina, o patrimônio das pessoas com altíssimo patrimônio, tradicionalmente um impulsor da riqueza dos indivíduos com alto patrimônio em geral, não cumpriu essa função em 2015. Com exceção da América Latina, no entanto, o patrimônio dos ultra-ricos cresceu mais do que o de outros segmentos de riqueza, tanto em 2015 como anualmente entre 2010 e 2014.  

 

Oportunidade de atração de clientes pelas empresas de gestão patrimonial

As empresas de gestão patrimonial estão bem posicionadas para explorar uma parte maior da crescente onda de riqueza detida pelas pessoas com alto patrimônio, revelou o relatório. No ano passado, essas pessoas demonstraram uma confiança bem maior nessas empresas (+17%) e nos mercados financeiros (+30%) do que em 2014. A confiança nos gestores patrimoniais permaneceu inalterada e 68% das pessoas com alto patrimônio se disseram satisfeitas com o relacionamento, demonstrando estarem dispostas a colocar mais ativos aos cuidados de seus gerentes.   

Contudo, as empresas de gestão e os gerentes patrimoniais ainda não administram a maior parte dos ativos que essas pessoas possuem para investimento. Em 2015, esses ativos eram mantidos principalmente em espécie (35%), depositados em contas bancárias ou mantidos em dinheiro, com 32% administrados por gerentes patrimoniais. Os mais ricos com menos de 40 anos dificilmente usariam esses profissionais (28%), mas os norte-americanos não hesitariam em usá-los (39%). 

 

Tirar proveito do alto nível de confiança é essencial

Para ajudar as empresas de gestão patrimonial a tirar proveito do crescente nível de confiança e atrair mais ativos das pessoas com alto patrimônio, o Relatório sobre a Riqueza Mundial desvendou as características que essas pessoas procuram numa empresa. Os três principais serviços que elas buscam em uma empresa de gestão patrimonial são assessoria em investimentos (47%), planejamento financeiro especializado (40%) e acesso a investimentos (40%). Além disso, o relatório revelou que quase metade dessas pessoas (48%) deseja investir para aumentar seu patrimônio. Como uma abordagem voltada ao crescimento envolve manter mais ativos em investimentos alternativos, as empresas de gestão patrimonial podem precisar ampliar sua especialização em investimentos para contemplar mais do que ações. Por fim, as pessoas com alto patrimônio começam a dar preferência a modelos de pagamento por desempenho, exigindo que as empresas revejam sua abordagem tradicional de precificação. 

 

20 anos do Relatório sobre a Riqueza Mundial

O relatório deste ano traz uma retrospectiva dos últimos vinte anos, marcados pela resiliência, mesmo diante de um desastre financeiro mundial, e pelo surgimento de várias tendências, inclusive investimentos com impacto social e disrupções tecnológicas. Para o futuro, o levantamento prevê que o ritmo de mudança aumentará como resultado de disrupções em quatro áreas principais: clientes, operações, regulamentações e tecnologias digitais. Estima-se que essas mudanças trarão vários desafios, inclusive volatilidade do mercado, impactos de transferências de patrimônio, pressão sobre os modelos de precificação tradicionais, aceleração da comoditização da cadeia de valor, foco dos órgãos reguladores no dever fiduciário e disrupção trazida pelas chamadas "FinTechs". A alocação orçamentária precisará se adequar, passando de uma atividade rotineira para focar a transformação, de modo a refletir a dinâmica das mudanças e as novas realidades do setor.